Wednesday, December 13, 2006

Comentário sucinto sobre PROLIXIDADE.



Diferença
Maria Teresa Horta

Aquilo que é secreto
à tua beira e longe de ti
se torna tão corrente
Aquilo que é vulgar

longe de ti
mas se estás perto
se torna tão diferente
Aquilo que é mistério indecifrável
se te aproximas até à minha cama
E que se torna raivosamente instável

se por acaso não dizes que me amas
Aquilo que é segredo

se o não escuta
se a tua beira fica desvairado...

PS: Disse certa vez uma colega minha de classe, que fazia jornalismo, que eu era prolixa nos textos. Talvez seja. Com uma ressalva: escrevo para mim mesma, e não me canso... =] Hoje quis ser sucinta. E esse poema diz tudo, inclusive o que penso sobre vocativos e esperneados. =]

Sunday, December 10, 2006

O relógio de Bern e meus pensamentos domingueiros


Switzerland... with red flags and a wonderful (and tasty) history about chocolate. Para mim, até 2005, a Suíça era um distante país europeu, sobre o qual o meu conhecimento máximo ia até Genebra, a cidade dos bancos, das contas estrangeiras, dos dólares desviados ( e reais também ). Mas um email, um dia, veio mudar tudo isso. Eu era enfermeira de um Hospital de ponta daqui de Belém, e era responsável pelo treinamento em serviço e extra hospitalar também. E certa manhã fui chamada pela gerente geral de enfermagem, me comunicando que viria uma estudante suíça passar uma temporada no Hospital, para realizar uma pesquisa, e que eu seria a responsável direta por esse estágio. Nome: Erika Hawlitschek. De imediato pensei: Meu Deus, preciso desenferrujar meu inglês. Na época, eu era a única enfermeira que arranhava "english" no hospital. Imagina. Na noite marcada, quase de madrugada, tive que ir escoltada pelo meu irmão (que fala inglês melhor do que eu), buscá-la no aeroporto. Depois de 3 emails trocados, e depois de ter pedido uma foto para poder reconhecê-la, fui buscar Erika e ela me reconheceu também de imediato. Menos de 1,50m, de uma simpatia sem tamanho, trazendo uma impressionante mochila e uma malinha (mesma bagagem que eu levaria para passar uma semana na casa da minha avó, a 75km daqui), ela nem parecia cansada de uma loooooonga viagem. Vinha de Bern, na suíça.
Bern, junto com Boltigen, Genebra, Interlaken, Lucerna e Zurique, constitui as 6 principais cidades da Suíça, que Erika me garantiu ser possível atravessar em 2 horas, de carro. Conversei com ela muitas coisas a respeito do país, da cultura. Mesmo sendo a capital do país, minha opinião é que toda a beleza de Bern, pelas fotos que ela me mandou e outras que pesquisei, é uma beleza retrô. Foi lá que Einstein começou a elaborar a Teoria da Relavididade. Berço da OMS e da Cruz Vermelha. Nível 0 de analfabetismo, neutralidade nas guerras mundiais, o maior número de Nobel per capita do mundo. Impressionante. Bern possui um centro medieval interessantíssimo, mas restrito. Rica em trilhas e famosa pela prática aventureira de Rafting, Bern tem mais ou menos 125.000 habitantes, e é famosa por sua culinária alemã e italiana. Os pratos gigantes... um prato serve em média para 4 pessoas, ou 3, se uma delas estiver com muita fome (como alguém que eu conheço... rs). Além disso, a dificuldade para estacionar, os ursos revoltados e a dificuldade para encontrar banheiros públicos dão um toque a mais de "emoção" ao turista desavisado. Comprar um Visitor Card, que te dá direito a vários traslados, é uma ótima opção. Mas se quiser ir a pé, também pode. Foi o que ela me disse. Além disso, é só curtir os chocolates, comprar um canivete suíço original, olhar (e comprar) relógios, e olhar os alpes suíços, que são lindos, com seus cumes brancos. Um dia, quem sabe, vou lá. Quando for uma jovem executiva de sucesso, ou então quando for uma velha analista judiciária aposentada, porque isso já sou... rs...
Ensinei Érika a falar "égua" e "pai-d´égua", coisa que ela dizia com um sotaque engraçadíssimo. Ela adorou o Guaraná da Amazônia. Postou sobre isso no meu finado blog, dizendo: "se os suíços soubessem o que estão perdendo..."... Nos divertimos muito. Ela conheceu toda a minha família, pois nas horas vagas, eu pude fazer turismo com ela, aqui na nossa Belém do Pará, e fora da cidade também. E aí está ela, deslizando no gelo. Em bern. Boa corredora, botava o Ivan no chinelo quando iam correr. Acadêmica aplicadíssima, ela surpreendeu muito. Hoje Erika está noiva, vai casar com um rapaz excelente. As probabilidades de nos reencontramos são muito pequenas. Talvez seja alguém que eu nunca mais vá ver, mas nos falamos sempre no MSN. No último contato, já era de madrugada aqui, e eu estava com medo de ficar só em casa. Ela me disse que eu não precisava daquilo... (rs) Faço votos que seja muito feliz, pois à sua maneira, ela já é. E assim, o tempo passa. Viram como os ponteiros do relógio central de Bern são grandes? Pois é. Os da nossa vida também. O tempo passa, simplesmente. Não há sentido anti-horário. Então nesse domingo ensolarado, meu pensamento principal é: cada um determina suas prioridades, usa seu tempo e constrói suas relações como lhe parece melhor. Pedir a alguém que nos ame, por favor, é melancólico. O ato de dar este amor suplicado, o é muito mais. Os erros, como a palha, bóiam na superfície. Aquele que procura pérolas deve mergulhar fundo.
PS: O Tadeu foi mesmo embora. Sem choro, nem vela, nem fita amarela. Estou deprimida.

Saturday, December 09, 2006

Textos para atenuar impaciência com o "Broken-Car"

- Oi, Zé Antônio, bom dia! Alguma posição sobre o carro?
- Tenho... olha só, eu não vou poder te entregar hoje, estou exclusivamente trabalhando na montagem, estou fazendo tudo com muito cuidado... não sei se vai dar pra te liberar hoje.
- Mas você disse que liberaria.
- Pois é, mas eu não posso, tenho que testar ainda. Vamos ver, mas se não der, não te libero, não. Só na segunda.
( SUSPIRO )
- Ok, ok, mas hoje é feriado, já basta ter ficado ontem sem carro... faça tudo direitinho, mas se puder me entregar hoje, agradeço muitíssimo.
- Ok, abraços. Ligo pro teu celular.
- Ok, obrigada.

( TU TU TU TU TU ... )

NO COMMENTS! Senhor, dá-me infinita paciência, porque meu carro não está pronto, e hoje é meio de feriado prolongado! caaaaaaaaaaaalma, Ivy. Caaaaaaaaaaalma. Tome água. Conte carneirinhos. Esse não é o POA do Hospital. É apenas o seu carro. Pense só... andar faz bem à saúde. Subir em ônibus exercita o equilíbrio, com aquelas maravilhosas curvas e freadas. Sem falar na habilidade manual, para pegar as moedas do troco e colocar no bolso. NUma outra perspectiva: pedir pra deixar você no Shopping vai exercitar sua humildade e lembrar a época que você era adolescente: um gole da água da fonte da juventude: 15 anos... "Mãe, me leva em tal canto?" ... "Com quem você vai"? "Que hora vai voltar?".... Ahhhhhhhh, moleque...

rsrsrsrs.... vou postar um texto... preciso me concentrar, ainda não são nem 11 horas da manhã.

Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Friday, December 08, 2006

Comentário noturno sobre "O Diário"


"Sei que se sente perdida agora, mas não se preocupe. 'Nada está perdido ou pode ser perdido. O corpo, indolente, velho, friorento... as cinzas deixadas pelas chamas passadas... arderão de novo' (Walt Whitman)."
** ESTE É "O FILME" **
Lembro perfeitamente como fiquei enlevada quando vi, pela primeira vez, "O diário de uma paixão". Começando pela tela surreal vermelha mostrando pássaros brancos se distanciando no horizonte, enquanto Allie olha pela janela da clínica. Iniciada na década de 40, a história de Allie e Noah, que se conhecem num parque de diversões, ultrapassa tempos e conveniências. Mesmo sendo separado da amada pelos pais de Allie, Noah, trabalhador braçal e sem recursos financeiros, escreve durante um ano, todos os dias para ela, sem resposta, pois a mãe de Allie intercepta todas as correspondências. Crendo que Allie não está mais interessada nele, Noah escreve uma carta de despedida e tenta se conformar. Alie espera notícias de Noah, mas após 7 anos desiste de esperar ao conhecer um charmoso oficial, Lon Hammond Jr. que serve na 2ª Grande Guerra (assim como Noah) e pertence a uma família muito rica. Ele pede a mão de Allie, que aceita, mas o destino a faz se reencontrar com Noah. Como seu amor por ele ainda existe e é recíproco, ela precisa escolher entre o noivo e seu primeiro amor.
( Quem assistiu o filme sabe do que estou falando... e quem não assistiu, não sabe o que está perdendo... não mesmo. )
Depois de sofrer com a saudade, mas com a certeza do que queria, Noah conseguiu ficar com Allie. Brigam na chuva, mas em seguida se beijam enlouquecidamente.... acho o filme lindo, lindo.... muito bom para ser assistido em dia de chuva, deitado ao lado de seu amor, com a janela aberta para se visualizar a chuva, numa cama beeeem fofinha....

A Quase-despedida do Tadeu e meus Wafers

Ele chegou na nossa casa num dia de semana, há mais ou menos 10 dias. Lembro que já era uma dessas manhãs de dezembro, quando o sol só abre um dos olhos. Estava eu completamente absorta em uma das infinitas reuniões gerenciais, quando o celular tocou: era a minha mãe. Não pude atender logo, mas acabei saindo da sala para retornar, pois ela nunca me liga quando sabe que estou trabalhando, para me dizer coisas que não sejam sérias...
E foi então com sua voz doce e surpresa, mamãe me disse que um cachorrinho havia se instalado na nossa casa. Na garagem. E que de lá não queria sair. Ri, aliviada, e disse a ela que a novidade era engraçada, e que quando chegasse em casa o veria. Então no fim da tarde, cheguei em casa apressada, pois ainda daria aula à noite, e vi o Tadeu. Pêlo bege, nariz preto, rabo fino. Vira-lata, vira-lata ao quadrado. (risos)... Comecei a rir, dentro do carro mesmo. Quando desci, ele latiu como quem diz: "Nem vem, que aqui você não entra". Aí minha risada aumentou, ficou potente e mamãe surgiu na porta. Eu disse p'raquele toquinho de cachorro: "Ei, eu moro aqui !!Dá licença???". Gostei dele de cara, de focinho, de rabo, de pulinhos. "Tadeu" ( nome dado pela minha mãe... Se algum Tadeu, ou amigo de Tadeu estiver lendo, I´m sorry ... ) é um filhote. Danado, travesso, ligado numa tomada de 220V. Mamãe já havia dito que ele não podia entrar na sala. E lá ficou, quando eu entrei e fiquei alguns minutos no sófá, olhando pra ele. Quando cheguei em casa, na mesma noite, mas já bem tarde, fiquei sentada nas cadeiras do pátio de casa, e ele fazendo a maior festa. Mordia minha mão com seus dentes finos, recém-nascidos, abanava o rabo e colocava as orelhas para trás. Pulava, corria. Acho uma graça como cachorros são simpáticos.
Hoje escrevendo isso, parece que um filme passa na minha cabeça, de todos os cachorros que já tivemos. O Hulk, que tinha a minha idade ( pastor alemão ). Quando o Hulk morreu, de parada cardíaca, aos 15 anos, lembro do choro alto da minha mãe. Eu também tinha 15 anos, e também chorei. Depois, veio o Lindo ( pastor alemão também ), era da minha tia, mas como ela morava em casa, ficou sendo nosso. Nunca vi cachorro tão danado, o lindo corria tanto no quintal, que a cena da qual mais me lembro é dele correndo com o rabo reto, fazendo uma linha no horizonte. Até que minha tia levou ele de casa. Os dois seguintes, dois Filas brasileiros, Saddam e Hussein ( o segundo era filho do primeiro ), foram as duas grandes piadas da adolescência (minha e do meu irmão). Saddam não sabia nem matar um calango no quintal, aprendeu a latir com o filho, tinha uma cabeçona e liberava gases com uma classe que não vi em cachorro nenhum. O Hussein... ah esse... danado demais, tinha muita personalidade. Era nosso "cachorro japonês!". Por causa dos seus olhos oblíquos. E agora o Tadeu, o primeiro TL da história ( Tomba - lata ). Tão TL que a mamãe não aguentou, e quer dar ele pra alguém.
Tadeu, nesses poucos dias, tomou água da piscina, liberou dejetos onde não podia, se soltou milhões de vezes, ficou inquieto quando mamãe foi dar banho nele. Deixou os pombos comerem a ração dele ( e a mamãe dizendo que daqui a pouco os pombos levariam ele voando ), cavou o quintal, e as plantas da mamãe. Fez xixi na garagem. Derrubou todas as roupas do cesto de roupa suja da área para dormir em cima. Simplesmente minha mãe, que é cri-cri com limpeza, surtou. Chorou, disse que gosta dele, mas que quer ele longe. Um despitch. Agora de manhã ele iria embora. Olhei pra ele, que estava amarrado pela milésima vez na corda e perguntei: "por que tu és tão danado? Custa ficar mais quieto?"... Deixei ele morder minha mão com seus dentes finos pela última vez. Fui passear com ele na frente de casa. E então meu padrasto ligou para um parente dele, perguntando se ele quer o Tadeu, cachorro valente, do focinho preto, um vigia de primeira. Dada a afirmativa, o Tadeu, que ia embora pra outro bairro aqui mesmo em Belém, vai para Castanhal no domingo. Tá lá, na área. Daqui estou ouvindo os latidos dele. Ainda não foi hoje. Será que devo sentar e dizer pra ele não ser danado, que a mamãe pode até mudar de idéia?? Só sei que a estratégia do meu padrasto foi pertinente até demais.
Aliviada, como Wafers de chocolate e penso. Penso no quanto as coisas são provisórias. Em nossos relacionamentos somos assim também. Procuramos receber bem as novas pessoas que vêm em nossas vidas, mesmo quando já tivemos outras, e quando cada uma teve a sua história, sua marca. Mas aí, chega um momento em que começam a aprontar. Você faz de tudo pra não perder, pra não sairem de sua vida, mas elas simplesmente não entendem, não querem, seguem seus instintos e seu bel-prazer. E chega, enfim, o dia do despitch. Felizmente, não estou vivendo tal situação. Este é um comentário que me pareceu lógico, depois de tanto falar no Tadeu e suas traquinagens. E lembro que quando meu avô era vivo, gostava de olhar "A corrida maluca", e eu assistia com ele, em sua TV preto e branco. E aí, pergunto... o rabugento ria por que ?? ...

Wednesday, December 06, 2006

As Orquídeas, a Lenda e o meu suspiro.


Estava dizendo hoje a duas amigas qual é a minha opinião a respeito de orquídeas: são flores lindas. Parecem flutuar, são ímpares, exóticas, anticonvencionais. Sua singularidade dispensa grupos, aclamações. Fiquei por uns instantes a pensar no comentário que havia feito. Estávamos passando logo de manhã pela grente de uma floricultura. Haviam margaridinhas em pequenos arranjos (que em minha opinião combinam com manhãs ensolaradas, camisas brancas de algodão cru, varandas ventiladas e claridade, muita claridade). Lá haviam também rosas vermelhas, Flores do campo, girassóis, lírios e cravos. Mas eu procurei orquídeas com os olhos. Talvez em outros tempos, procurasse tulipas! E... não as encontrei. Não haviam orquídeas.
Classificadas como plantas angiospermas, tendo mais de 35 mil espécies descritas, as orquídeas variam muito de forma, dimensão ( algumas são do tamanho de uma cabeça de alfinete e outras chegam a 3 metros de altura ), e também de cor. Mas a forma delas é única: 3 pétalas e 3 sépalas. Quem já estudou botânica um dia na vida entende essa terminologia. E o curioso... e o fantástico, o intrigante: florescem apenas 1 vez no ano. Este processo, que pode demorar alguns meses, desencadeia ao nossos olhos esta maravilha. Da qual por sinal não é fácil tomar conta... mas...
Diz a lenda que havia, em uma cidade chinesa, uma jovem chamada Hoan Lan, de indescritível beleza. Tinha aos seus pés muitos admiradores. Um deles, ourives, fez para Hoan Lan as mais lindas jóias. Ela, depois de adornar-se com os presentes do jovem, o desprezou, fazendo com que ele desse cabo da própria vida, atirando-se ao rio Vermelho. Outro, pintor, reuniu as mais belas tintas para fazer um retrato de sua amada. Esta, de vaidade saciada após ter visto obra prima, também o desprezou. Ele desapareceu na mata e nunca mais foi visto. Outro, apaixonado também, quis patentear seu amor à moça criando um delicioso perfume. A ingrata perfumou-se e depois mandou pôr para a rua o admirador, que acabou se envenenando por não suportar tal situação. Outro lhe fez uma pulseira de ébano, que foi usada mas dispensada logo após, como o presenteador. O pobre endoideceu. Até que um dia, Hoan Lan apaixonou-se por Mun Cai. Mas ele não via nela nada que lhe interessasse. Hoan era apenas mais uma pessoa: ele amava outra. Mas ela sonhava com ele, enfeitava-se pra ele, esperava-o passar pelo caminho.
Chegou o dia em que Hoan, não suportando mais, declarou a Mun Cai que o amava. Mas ele foi reticente: disse-lhe solenemente que seu coração era de outra! Disse também que a mulher que merecia seu amor, esta não merecia ter as sandálias amarradas por Hoan Lan, que era vulgar. Humilhada e em desespero, Hoan encontrou pelo caminho uma bruxa de pés de cabra. A bruxa disse que sabia qual era o problema dela, e disse-lhe que se ela lhe vendesse a sua alma, Mun Cai jamais amaria outra mulher. E Hoan Lan, desesperada que estava, aceitou. Então, no dia seguinte, ao avisgtar Mun Cai, correu-lhe ao encontro, e viu, pasma de espanto, ele transformar-se numa árvore. Então surgiu a bruxa, cínica, dizendo que havia cumprido o trato. Por mais que Hoan tentasse desfazer o "trato", a bruxa não quis acordo. Foi emboram dizendo que voltaria para buscar a alma de Hoan. Então esta agarrou-se à árvore, pedindo perdão ao amado pelo que fizera. Foi então que surgiu um gênio que lhe disse:
- Mulher, procedeste muito mal. Foste volúvel até a crueldade e ingrata até a malvadez. Procedeste muito mal. Mas tua dor purificou a tua alma. Estás perdoada e vais deixar de sofrer. Antes que a bruxa venha buscar a tua alma, vou transformar-te numa flor. Ficarás sendo, no entanto, uma flor esquisita e requintada, que dé a impressão do que foi a tua vida maldosa. Quem vir as tuas pétalas facilmente adivinhará o que foi o teu espírito, caprichoso, volúvel, cruel, e a tua preocupaçâo constante pela elegância. Concedo-te um bem: não te separarás do bem que adoras e viverás da sua seiva, parasita do teu amado.
Assim falou o poderoso gênio. E, quando falava, a túnica rósea de Hoan Lan ia empalidecendo e tornando-se de uma delicada cor lilás. Os olhos da jovem brilharam como pontos de ouro e as suas carnes tomaram a tonalidade do nácar. Os seus formosos braços enrolaram-se na árvore na derradeira súplica.E assim apareceu a primeira orquídea do mundo... ( gostaram? )
SUSPIROS. Os meus.
(...) "EU SEI, TUDO PODE ACONTECER..." - Música dos Papas da Língua. Violãozinho bacana. Se um dia eu morar em Teresópolis, quero ter um orquidário. Para mostrar ao meu amor. Para ter um espetáculo aos meus olhos. E acreditar que apesar da tal lenda, nem todo final precisa ser triste... !

Tuesday, December 05, 2006

A picanha, sua filha Aterosclerose e o funeral hipotético. Bem vindo à minha aula de Cardio!



Depois de pequenos transtornos tecnológicos, aqui estou eu, em blog novo. Olho para um pato de pelúcia a penso: quem é mais pato? O pato, ou eu? Estou falando da Dodó, um serzinho amarelo que habita na minha casa. Então, penso que "ser pato" depende do dia... acho que tem um dia predeterminado. E eu fui quando fiz "De Profundis I", cuja senha esqueci. E haja tentativa, mas esqueci, simplesmente. Logo eu, que sei senhas de banco sem anotar, senhas de múltiplas contas de banco e email, orkut e tudo o mais, mas esqueci. E então foi o jeito criar outro blog... "De Profundis II". Vão-se os anéis, ficam os dedos. O blog ficou para trás, mas os pensamentos continuam. E o de hoje gira na Picanha. O pecado da carne.
Estava dando aulas, quando comecei a falar de Infarto. De placas de gordura compactadas nas artérias. De aterosclerose. De gente chorando no velório dizendo: "Ele era tão bom...!"... de cravos brancos no caixão. Da chuva fina dos enterros. (risos)... foi uma aula de terror. Mas eu sempre aterrorizo quando falo disso. E a culpa é de quem? De quem come picanha e afins inadvertidamente. E uma vez vindo à tona a Picanha, meus alunos riram, é claro. Cardio pra lá, cardio pra cá... no fim das contas, parece que gostaram.
Os seres humanos comem carne bovina há pelo menos 4 mil anos. Mas a picanha foi descoberta há 28 anos. Localizada na parte traseira do animal, fazendo parte do alcatra, a picanha é um tipo de corte de carne bovina. É triagular, pesa entre 1.020g e 1.590g. Quando assada no espeto, é servida em bifes cortados de forma a "descascar" a peça ainda no espeto, retornando ao braseiro ( desde que a churrasqueira não seja eu... rs ) para ser levada a novo ponto e servida outra vez. Na grelha, assa-se com a gordura para baixo, e depois que a gordura estiver bem derretida e crocante, o responsável pelo delírio da galera doura o fenômeno pelas laterais, não mais que 5 a 10 segundos. E serve. Elogio? Nenhum! Não de imediato: o povo tá de boca ocupada, revirando os olhos. Uma delícia. Na segunda feira, dia internacional da mudança interna, cuide de caminhar ou ir para a academia, você que degustou esse petardo. O Valor calórico é de 323 kcal, em média.
O Moral do post? Querem saber? Simples e complexo. Simples, porque o homem comia carne há 4000 anos e só descobriu essa delícia agora. É a mesma carne, cortada de maneira diferente. Com critério. Complexo, porque nem todos sabem disso, outros nem querem saber. Não querem tentar, adoram catatumbas marasmáticas. Quase uma tumba de Tutankamon. Eu sei qual é a picanha da minha vida. Você sabe qual é a sua? Se não sabe, corte diferente. Experimente. E não esqueça de apreciar com moderação. Deixe bater uma saudade de vez em quando. O Lobo mau agradece...